quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Let me get what I want

Eu quero que tudo seja especial.
Respirações especiais. Manhãs especiais. Noites especiais.
Pontos de ônibus e pessoas cruzando meu caminho, todas especiais.
Aniversários surpresas e ceia de natal. Tudo como se fosse perfeito.
Ela não. Ela se refugia num eterno "isso é desnecessário, é só um dia comum".
Ela fingi não gostar. Força cada palavra. Escreve melhor do que fala.
Chora escondido. Esconde todas as dores.
Quando seu nariz sangra, ela diz que é o calor. Ela odeia o calor e se refugia sob a neblina.
Nesse mundo quase cinza eu a encontro. Sempre instável. Como eu.
Como ela eu sou. Mas eu insisto. Quero tudo brilhando, especialmente para nós.
Ela quer que tudo passe. Mas que passe logo, para ela ter certeza que não errou.
Ela erra sempre. Estamos sempre nos caminhos contrários. Eu tento, ela tenta.
Eu desisto e choro. Ela tenta mais e me levanta. Ela aguenta dores demais.
Ela tem o sorriso estranho e um olhar estranho quando acorda.
Fica um longo tempo olhando fixamente o nada.
E dela eu roubei todas as manias. O café. O medo de amar. O esforço para não gostar. A realidade.
Por ela eu já chorei noites sem fim. Por ela eu me esforço todos os dias. Por mim ela viveu.
Por ela eu quero tudo brilhando. Só para ver ela feliz um dia.


mami, te amo.
para sempre e tanto.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

belo horizonte

ela tem um coração que ninguém vê e olhos tão distantes que nem sei para onde olham
por cima da minha cabeça vêem coisas que não posso.
sei que é humana porque sangra. e chora. e ri. e dança.
sei que sente, mas não sei se gosta.
sei que chora, mas não sei por quem.
por quem chorará uma menina tão distante?
sei que não é de vidro, mas então por que no chão da sala se quebra?
quero trazer o verão pra sala, mas ela diz não se importar com a estação, quer apenas descansar suas pernas no sofá. e liga a tv.
queria pra sempre seguir essa menina que segue tão sempre tão distante a minha frente.
Bianca no horizonte, vendo a terra dobrar. Bianca no horizonte, onde eu não vou chegar.
por que aos poucos, com meu coração, ela aprendeu a sangrar. e eu com seus olhos, aprendi a congelar meu choro.

(Sarah - no invasoesgermanicas.blogspot.com)