quinta-feira, 31 de julho de 2008

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bomba-relógio

Algumas coisas corroem o sistema nervoso de forma tão violeta que às vezes tenho a impressão que minhas forças estão se esvaindo.

A sensação é tão ruim que não consigo chorar.
Só queria respirar em paz.

domingo, 20 de julho de 2008

O céu dez minutos antes da chuva # parte 2#

Já faz um certo tempo que não vejo o céu dessa forma.
Mas sei que esse é um dos problemas do inverno...

O título desse post foi copiado de uma peço da teatro (que como muitas outras, eu não vi). Na verdade não tenho certeza se esse é o nome exato da peço, mas me lembro perfeitamente de ver o título em um painel e descobrir que ele sintetizava tudo o que eu tinha na minha cabeça todas as vezes que parava para ver o céu.

Essa história começou quando eu ainda tinha que fazer o trajeto São Paulo-Riacho Grande todos os dias. Umas das poucas vantagens da viajem era poder notar como o céu mudava aos poucos e como as cores de todas as coisas reagiam a uma mudança na cor do céu.

A cor cinza escuro que fica no céu antes de um temporal destaca todas as outras cores, principalmente o azul, o vermelho e o verde. E de tanto olhar começei a achar que todas as fotografias só ficariam mais bonitas se tivessem essa escala de cores.

Mas nunca consegui tirar uma foto desse momento...

O fato é que toda essa história de cores virou um termômetro para medir o nível de sensibilidade das pessoas. Quase ninguém dá atenção a isso. E sinto dizer que muitas das pessoas que eu achei que entenderiam fizeram uma cara de interrogação quanto eu comentei o assunto.

Às poucas pessoas que me entenderam eu dedico esse texto, como forma de agradecimento.
E também às outras, que nunca prestaram atenção, pois sei que esse é um problema dessa nossa vida corrida e paulistana, que rouba todos os momentos de reflexão.

...e ainda estou esperando chover.

PS: Parei diversas vezes de escrever para ver as gêmeas. Não consigo tirar os olhos delas.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Dedicado as minhas novas e eternas paixões

Sexta-feira, dia 5 de julho, acho que lá pelas 4h da madrugada...
A casa inteira acorda. A tensão começa a corroer o estômago.
As malas estão prontas, todos estão vestidos e nem o frio tira a ansiedade.
Enfim...após chegamos e ainda está escuro.

Toda a papelada tem que ser preenchida e isso é muito chato.
Pra quê tanta burocracia? Ah, já sei... porque viver custa caro.

Papelada assinada, o jaleco de bunda de fora está arrumado e adivinhe só? O médico não chega!
Legal saber que a vida começa com atrasos... isso explica tudo!

Pronto, chegou!
Eu tenho a sensação de que sou a única que está estressada e ansiosa.
E isso piora depois que eu coloco a roupa verde, aliás, a última moda nos hospitais.

Para ajudar, alguém me manda sair da sala! Como assim sair da sala? Eu paguei por isso!
Incrível como tudo é pago nessa vida...

Meia hora depois de ficar olhando na janelinha, por entre as máscaras que conversam com olhares, eu tenho a impressão de que estou há muito tempo ali, com o ruído de uma televisão que ligaram para me acalmar.

Alguém aparece na porta e enfim eu posso entrar.
A máscara no rosto atrapalha a respiração, mas isso é o de menos, já que o cheiro continua estranho.

Eu fico um tempo tranquilizando uma pessoa deitada, com olhar pouco lúcido, como se estivesse prestes a mudar de vida. E estava.

O médico me chama. Chegou a hora. Após 37 semanas.

Ele corta e alguém me manda encostar na parede para não desmaiar. Eu não desmaiaria por nada! Esperei por isso e vou ver até o final.

Poucos segundos depois...algo muito parecido com uma cabeça começa a surgir do meio de um monte de pele e sangue. Os médicos ficam tensos e rapidamente puxam.
E ela aparece... Suja, feia e com cor de vômito. É incrível como essa visão parece ser a mais bonita que eu já vi.
Mas ainda não era tão bonita...
Só se tornou perfeita quando o médico furou uma bolsinha, tipo uma bexiga e eu avistei outra cabeça.
A tensão aumentou... Ficou mais difícil puxar e eu com uma vontade imensa de ir lá fazer alguma coisa.
Não precisou...ela também nasceu, e chorando...com o mesmo choro que vai me perseguir pelo resto da vida.

Olhei para elas, com o mesmo olhar que sei que vou ter para sempre e elas pararam de chorar...Elas sim, mas minha mãe não. Ela estava desesperada. Eu também ficaria se não pudesse ver o que estava acontecendo e sem poder segurar as filhas.

Em questão de meia hora tudo isso se acalmou. Minha mãe estava tranquila. Já havia beijado as filhas na testa. As três agora.

Tudo ficou calmo. Menos eu. E ainda não estou e nunca mais estarei.

Minha visão critica sobre a vida não vai me permitir ficar calma enquanto eu não souber que o mundo é um pouco melhor para elas. E ele será, porque certas coisas me fazem acreditar nisso.

E elas? Que sejam bem vindas!
A vida espera... E eu estarei aqui, disposta a mostrar que não é tão ruim assim.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O céu dez minutos antes da chuva # parte 1#

Cometário de Lívia sobre meu post de São Paulo:
"Que nem quando vc me mostrou como as cores ressaltam antes da chuva, tipo o azul né".



Minhas observações sobre esse comentário:
Apenas pessoas sensíveis notam a cor do céu antes da chuva, mas apenas pessoas mais sensíveis ainda dão atenção a esse tipo de cometário.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Lugar Nenhum # parte 1 #

Os acontecimentos são seres covardes.
Eles nunca acontecem sozinhos:
vêm numa matilha, pulando juntos sobre alguém ao mesmo tempo.
(Neil Gaiman)

terça-feira, 1 de julho de 2008

Inspira...respira...

A possibilidade de respirar assusta
Se parar para prestar muita atenção eu perco o ar

Será que você também respira?