(laboratório para aprimorar a escrita e minimizar os muitos pensamentos acumulados)
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
C.F.Abreu
"(...)Claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira,
a única diferença é que você pensa que pode escapar, e eu quero
chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só
umedece com vodka, me passa o cigarro, não, não estou desesperada, não
mais do que sempre estive, nothing special, baby, não estou louca nem
bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho
nenhuma saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo
banho frio, leite quente com mel de eucalipto, gin-seng e lexotan,depois
deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a ban-chá e arroz
integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa,
depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina
ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca
qualquer choramingando coisas do tipo
preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-esta-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá,
até o sol pintar atrás daqueles edifícios, não vou tomar nenhuma medida
drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir
sem fé nenhuma?”
ansiedade
Ah, a ansiedade. Nos dá presentes, viagens, dinheiro, reconhecimento, amores.
Quando chega a hora é diferente. É como pedido de namoro na adolescÊncia. Você imaginou
uma caixinha com aliança e jantar a luz de velas, mas aceitou o pedido acanhado ao sair da escola.
Quando chega a hora é diferente. É como pedido de namoro na adolescÊncia. Você imaginou
uma caixinha com aliança e jantar a luz de velas, mas aceitou o pedido acanhado ao sair da escola.
trecho de livro #parte2
O soluço anunciou a crise. Longe, na outra ponta da linha, Sofia soube que o marido entrara na semana de reclusão. Sentiria-se triste, fraco e acordar perderia o sentido momentaneamente. Às vezes durava mais, às vezes menos, mas o certo era que Sofia veria sua incapacidade de alegrar o marido desenhar a convivência cotidiana. Nem o toque, o sexo ou o café da manhã agradariam.
- Mãe, ele ficou estranho de novo.
- Tenha paciência, minha filha.
- Eu tenho, mãe, eu tenho...
Vicente coçou a cabeça.
-Preciso me pentear, disse para o espelho.
Era inevitável e recorrente, mas Vicente careceia da motivação juvenil, da ânsia lhe subindo a garganta. Hoje, o brilho nos olhos e o apreço pela vida duram menos. A empolgação não passa de um sopro curto para apagar vela. Naquela manhã serviu para que penteasse o cabelo.
- Eu poderia ser mais. Minha pior escolha foi a mediocridade.
Apanhou o barbeador elétrico. Nada mais havia a fazer.
- Mãe, ele ficou estranho de novo.
- Tenha paciência, minha filha.
- Eu tenho, mãe, eu tenho...
Vicente coçou a cabeça.
-Preciso me pentear, disse para o espelho.
Era inevitável e recorrente, mas Vicente careceia da motivação juvenil, da ânsia lhe subindo a garganta. Hoje, o brilho nos olhos e o apreço pela vida duram menos. A empolgação não passa de um sopro curto para apagar vela. Naquela manhã serviu para que penteasse o cabelo.
- Eu poderia ser mais. Minha pior escolha foi a mediocridade.
Apanhou o barbeador elétrico. Nada mais havia a fazer.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
trecho de livro #parte1
Plam, plam, plam.
Um barulho seco ecoava pelo vão entre os prédios e entrava de janela em janela, causando um alvoroço tremendo. Cada um, a sua maneira, protestava contra o martelar incessante do oitavo andar. Eu botei uma música, a maioria fechou as janelas (ou estariam fora trabalhando?) e havia outros que devolviam o estardalhaço com marretas e furadeiras. Atitude incompreensível. Transformou-se numa sinfonia caótica, retumbando no centro da cidade.
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