quinta-feira, 26 de novembro de 2009

... mas eu estou feliz


Foi com certa dificuldade que ela olhou para o sol. Há tempos não reparava. Estava escondida atrás dos óculos escuros e das cortinas e da noite. Estava bem em não sorrir no elevador, em ignorar as pessoas na rua e seguir olhando pontos fixos no horizonte.
Estava, até o dia que teve que acordar e não usar seus óculos. Doeu no primeiro dia. Doeu no segundo. Doerá mais um tempo. Ela pensava que não teria força suficiente pra forçar a pálpebra para cima, mas segurou na mão de algumas pessoas e foi.
Com passos estranhos aprendeu a andar num terreno irregular. A comer o que não comia. A dormir onde jamais dormiria.
Dali sentiu que o mundo estava maior.
Depois se sentiu vazia.
O mundo dela não era o mesmo. Ninguém se importava. Todos os pequenos problemas eram menores para ela e enormes para os outros.
E foi daí que ela teve que escolher. Escolheu. Sorriu. E foi feliz por isso.

Agora os óculos escuros atrapalham demais.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O eu te amo da Bianca

Ela desceu do carro,
e antes de bater a porta com seu jeito meio agressivo, falou: "Te amo" e saiu.



Eu nunca pensei que meu amor afetasse alguém. Por isso me refugiei no não-amor.
E não amar não é só não dizer que ama, é também ignorar, pisar, machucar a qualquer custo só para se mostrar além de algo tão simples como o amor.
E amor é algo simples sim. Ou se ama, ou não. Às vezes tem simpatia, paixão, amizade e todo o resto que pode ou não complicar, mas o amor é amor e ponto.
Eu amei menos do que deveria. Me esforcei em não amar.
E ainda assim, o mundo (o meu mundo) me amou. E só amou, simples assim.
Alguns desistiram no caminho, outros insistiram tanto que esperam até o dia de ouvir as palavrinhas. Outros pouco se importam, porque sabem que meu amor é de fato incondicional, e por esses, com ou sem grosserias, eu sigo essa vida.

Nesse momento para de escrever e ligo para a minha mãe.
- Amo vocês.
- A gente também.
E eu desligo o telefone com um pouco de lágrima nos olhos.

O amor alheio nos pesa. Ele dá medo. Medo pelos outros.
Quando eu amo de verdade tento dizer eu te amo. E quem é de fato amado sabe o quanto isso me custa e o quanto é especial.
Eu não quero mais uma vida de não-amor. Quero que ela seja feliz, cheia de pessoas fundamentais para a existência. Esses com quem acordo, durmo, levo no coração, no bar, no fundo do copo, na alma, na memória e nos textos.

A vocês.
Obrigada pelo sim-amor.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

It started out with a kiss

vejo tudo congelar
você e eu embaixo dessa chuva
você e eu sozinhos aqui


eu não tenho enxergado bem desde o dia que acordei e achei que tinha alguma coisa errada no mundo. acordei com a vista embaçada e assim ela continua até agora. só tenho uma coisa na minha cabeça: aquele maldito olhar que tenho medo.
eu só me importo com as horas que tenho que fingir. e eu só queria me concentrar de novo.
por favor, me odeie!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

aos porres

Estava há cerca de uma hora no banheiro. Só enxergava o fundo da privada, enquanto as pessoas em volta temiam pelo pior. Podia ser pior? Ela só queria dormir ali, deitada na segurança de um espaço onde podia apertar a descarga a qualquer momento.
No espelho d’água via tudo o que não queria e então era só apertar um botão que tudo ia embora.
Foi embora você, o outro e um passado envergonhado. Ali ela perdia mais uma vez a capacidade de segurar o próprio cabelo e amargava o dia em que pensou ser forte. Certas rotas de fuga são arriscadas e ela sempre escolhia o jeito mais perigoso.
Era um jeito de deixar para trás os outros. E ele.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

das curtas histórias que acabam logo

- Tchau

- Até nunca mais?

- Isso, até nunca mais!

- Engraçado o tamanho do seu sorriso para dizer isso...

- É que eu me sinto bem dando adeus para as pessoas.


E foi assim que ela se despediu e se sentiu melhor. Deixou no carro algo que não queria mais lembrar. Sequer olhou para trás. Não importava mais.

Paixões são repentinas e acabam. É só por isso que valem a pena.


Now, I will lie for me

domingo, 8 de novembro de 2009

de quando eu me senti a mais idiota das criaturas

sentada no banco da igreja, desejou imensamente acreditar em algo que lhe desse força.
pena que a fé nunca foi uma virtude.
ainda assim, insistiu em olhar para as imagens e pedir que lhe levassem o coração embora, porque esse, ela não queria mais.
achou que tudo aquilo era a tão famosa paixão, que os amigos diziam sentir.
se fosse, que não sentisse mais, porque não é justo doer tanto.
engoliu um choro falso e levantou.

passou um dia, outro e outro.
em silêncio eles concordaram com o segredo.
I will lie for you