quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Let me get what I want

Eu quero que tudo seja especial.
Respirações especiais. Manhãs especiais. Noites especiais.
Pontos de ônibus e pessoas cruzando meu caminho, todas especiais.
Aniversários surpresas e ceia de natal. Tudo como se fosse perfeito.
Ela não. Ela se refugia num eterno "isso é desnecessário, é só um dia comum".
Ela fingi não gostar. Força cada palavra. Escreve melhor do que fala.
Chora escondido. Esconde todas as dores.
Quando seu nariz sangra, ela diz que é o calor. Ela odeia o calor e se refugia sob a neblina.
Nesse mundo quase cinza eu a encontro. Sempre instável. Como eu.
Como ela eu sou. Mas eu insisto. Quero tudo brilhando, especialmente para nós.
Ela quer que tudo passe. Mas que passe logo, para ela ter certeza que não errou.
Ela erra sempre. Estamos sempre nos caminhos contrários. Eu tento, ela tenta.
Eu desisto e choro. Ela tenta mais e me levanta. Ela aguenta dores demais.
Ela tem o sorriso estranho e um olhar estranho quando acorda.
Fica um longo tempo olhando fixamente o nada.
E dela eu roubei todas as manias. O café. O medo de amar. O esforço para não gostar. A realidade.
Por ela eu já chorei noites sem fim. Por ela eu me esforço todos os dias. Por mim ela viveu.
Por ela eu quero tudo brilhando. Só para ver ela feliz um dia.


mami, te amo.
para sempre e tanto.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

belo horizonte

ela tem um coração que ninguém vê e olhos tão distantes que nem sei para onde olham
por cima da minha cabeça vêem coisas que não posso.
sei que é humana porque sangra. e chora. e ri. e dança.
sei que sente, mas não sei se gosta.
sei que chora, mas não sei por quem.
por quem chorará uma menina tão distante?
sei que não é de vidro, mas então por que no chão da sala se quebra?
quero trazer o verão pra sala, mas ela diz não se importar com a estação, quer apenas descansar suas pernas no sofá. e liga a tv.
queria pra sempre seguir essa menina que segue tão sempre tão distante a minha frente.
Bianca no horizonte, vendo a terra dobrar. Bianca no horizonte, onde eu não vou chegar.
por que aos poucos, com meu coração, ela aprendeu a sangrar. e eu com seus olhos, aprendi a congelar meu choro.

(Sarah - no invasoesgermanicas.blogspot.com)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

... mas eu estou feliz


Foi com certa dificuldade que ela olhou para o sol. Há tempos não reparava. Estava escondida atrás dos óculos escuros e das cortinas e da noite. Estava bem em não sorrir no elevador, em ignorar as pessoas na rua e seguir olhando pontos fixos no horizonte.
Estava, até o dia que teve que acordar e não usar seus óculos. Doeu no primeiro dia. Doeu no segundo. Doerá mais um tempo. Ela pensava que não teria força suficiente pra forçar a pálpebra para cima, mas segurou na mão de algumas pessoas e foi.
Com passos estranhos aprendeu a andar num terreno irregular. A comer o que não comia. A dormir onde jamais dormiria.
Dali sentiu que o mundo estava maior.
Depois se sentiu vazia.
O mundo dela não era o mesmo. Ninguém se importava. Todos os pequenos problemas eram menores para ela e enormes para os outros.
E foi daí que ela teve que escolher. Escolheu. Sorriu. E foi feliz por isso.

Agora os óculos escuros atrapalham demais.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O eu te amo da Bianca

Ela desceu do carro,
e antes de bater a porta com seu jeito meio agressivo, falou: "Te amo" e saiu.



Eu nunca pensei que meu amor afetasse alguém. Por isso me refugiei no não-amor.
E não amar não é só não dizer que ama, é também ignorar, pisar, machucar a qualquer custo só para se mostrar além de algo tão simples como o amor.
E amor é algo simples sim. Ou se ama, ou não. Às vezes tem simpatia, paixão, amizade e todo o resto que pode ou não complicar, mas o amor é amor e ponto.
Eu amei menos do que deveria. Me esforcei em não amar.
E ainda assim, o mundo (o meu mundo) me amou. E só amou, simples assim.
Alguns desistiram no caminho, outros insistiram tanto que esperam até o dia de ouvir as palavrinhas. Outros pouco se importam, porque sabem que meu amor é de fato incondicional, e por esses, com ou sem grosserias, eu sigo essa vida.

Nesse momento para de escrever e ligo para a minha mãe.
- Amo vocês.
- A gente também.
E eu desligo o telefone com um pouco de lágrima nos olhos.

O amor alheio nos pesa. Ele dá medo. Medo pelos outros.
Quando eu amo de verdade tento dizer eu te amo. E quem é de fato amado sabe o quanto isso me custa e o quanto é especial.
Eu não quero mais uma vida de não-amor. Quero que ela seja feliz, cheia de pessoas fundamentais para a existência. Esses com quem acordo, durmo, levo no coração, no bar, no fundo do copo, na alma, na memória e nos textos.

A vocês.
Obrigada pelo sim-amor.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

It started out with a kiss

vejo tudo congelar
você e eu embaixo dessa chuva
você e eu sozinhos aqui


eu não tenho enxergado bem desde o dia que acordei e achei que tinha alguma coisa errada no mundo. acordei com a vista embaçada e assim ela continua até agora. só tenho uma coisa na minha cabeça: aquele maldito olhar que tenho medo.
eu só me importo com as horas que tenho que fingir. e eu só queria me concentrar de novo.
por favor, me odeie!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

aos porres

Estava há cerca de uma hora no banheiro. Só enxergava o fundo da privada, enquanto as pessoas em volta temiam pelo pior. Podia ser pior? Ela só queria dormir ali, deitada na segurança de um espaço onde podia apertar a descarga a qualquer momento.
No espelho d’água via tudo o que não queria e então era só apertar um botão que tudo ia embora.
Foi embora você, o outro e um passado envergonhado. Ali ela perdia mais uma vez a capacidade de segurar o próprio cabelo e amargava o dia em que pensou ser forte. Certas rotas de fuga são arriscadas e ela sempre escolhia o jeito mais perigoso.
Era um jeito de deixar para trás os outros. E ele.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

das curtas histórias que acabam logo

- Tchau

- Até nunca mais?

- Isso, até nunca mais!

- Engraçado o tamanho do seu sorriso para dizer isso...

- É que eu me sinto bem dando adeus para as pessoas.


E foi assim que ela se despediu e se sentiu melhor. Deixou no carro algo que não queria mais lembrar. Sequer olhou para trás. Não importava mais.

Paixões são repentinas e acabam. É só por isso que valem a pena.


Now, I will lie for me

domingo, 8 de novembro de 2009

de quando eu me senti a mais idiota das criaturas

sentada no banco da igreja, desejou imensamente acreditar em algo que lhe desse força.
pena que a fé nunca foi uma virtude.
ainda assim, insistiu em olhar para as imagens e pedir que lhe levassem o coração embora, porque esse, ela não queria mais.
achou que tudo aquilo era a tão famosa paixão, que os amigos diziam sentir.
se fosse, que não sentisse mais, porque não é justo doer tanto.
engoliu um choro falso e levantou.

passou um dia, outro e outro.
em silêncio eles concordaram com o segredo.
I will lie for you

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

castelo de cartas

um dos passatempos preferidos era montar castelos de carta. ficava fascinada por horas. sabia que se perdesse a concentração tudo ia ao chão. e quando caia, ela começava de novo. de novo e de novo. pensava na fragilidade do papel, que aos poucos sustentava muitas outras frágeis peças. sabia que se respirasse fundo demais deixaria o ar atrapalhar. sabia a hora de parar. mas o encanto não era esse. queria chegar ao fim e ver tudo desabar. em desequilíbrio. com jeito harmônico.
era só esperar o momento certo.

impossibilidades

ela mal podia ver entre a pouca luz. ainda assim o reconheceu. sorriu. abraçou. o mundo parou. ela queria ficar ali, no abraço.
mas logo lembrou do mundo. de tudo que implicaria aquele abraço. voltou ao som. disfarçou. sentiu-se mal, assim como ele.
encostaram no balcão. de cabeça baixa, olhavam de canto de olho. ele sabia que tinha que sair dali. ela queria a distância segura.
e foi assim que a noite acabou com o dia seguinte. e foi assim que um aperto muito forte chegou no coração. e foi assim que ela se sentiu a mais desgraçada das criaturas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pensando em um título que não lhe ofenda tanto quanto o texto

Ela olhava aquela pessoa ao seu lado. Não lhe representava nada. A sobriedade lhe faltara e desde então ela achou que poderia não afetar ninguém.
Será que não afetaria? Será que ele conseguiria sair ileso de toda a sua loucura?
A ela era dispensável que ele se desse ao trabalho de lhe agradar, ou de lhe falar qualquer coisa que fosse. Ela só queria ouvir sua respiração pausada e profunda, e depois ficar ali, entre pernas e lençóis, até adormecer para ignorar sua existência.
Sentia-se mal por pensar assim, mas não se deu ao trabalho de agir de outra maneira. E nessa confusão de querer pensar conscientemente, ela enfiou a cara no travesseiro, respirou fundo e dormiu novamente quando ele abriu a porta e saiu, com a impressão de que nunca mais voltaria.

Da autosabotagem

As revistas femininas chamavam aquilo de autosabotagem. Mas ela sabia bem que na realidade dela tinha outro nome. Era medo.
Não queria ser testada, não queria testar nada, não queria aprovar ninguém e nem ter que ser aprovada por um qualquer.
Odiava essa situação de muitos opinando em sua vida. Não queria ser motivo de preocupação. Pensou isso depois que disseram-lhe que estavam preocupados. Disseram-lhe para que lhes procurassem em caso de tristeza, disseram-lhe muitas coisas. E ela ignorou. Assim como ignoraria a boa vontade daquele estranho que se levantava e saia pela porta da sua casa logo de manhã. Ignovara pois ele fazia parte do teste. Parte do que ela não queria.
Ela, mais uma vez, como tantas outras, não sabia o que queria.
Estava confusa, sozinha e tinha súbitas vontades de levantar e sair correndo para longe, lá onde nasceu e lá ficar, apenas deitada no colo de quem lhe queria bem.
Pensou em tudo o que queria. E no que não queria. Tomou mais um gole. Vestiu-se, maquiou-se e foi embora. Fingir que era alguém num mundo que não lhe importava tanto.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

My apology to you

Eu estou errada. Você está errado.
E estou indo embora. E você já foi.
Você já me matou com todo seu amor.
E eu estou tentando te deixar.
Apenas me desculpe por não sentir saudades.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

De onde vem a força

Estava diante dele, tão pálida e indefesa quando conseguiu se deixar ficar.
-Relaxe - ele disse.
Impossível quando se expõe todas as fraquezas diante de alguém.
Ela estava certa que se ele pudesse a deixaria ali, chorando, só por não ser digno daquele momento. Mas ele não podia. Jamais a deixaria.
Ela fugiu dos seus olhos enquanto pode. Mirou o alto, preocupou-se com o brilho da lâmpada, fechou os olhos, e cada vez que abria sentia chorar e ficar mais fragilizada. Ele se sentiu culpado por tudo o que não havia feito. Ela nunca o culparia.
Apenas queria olhar acima da linha do horizonte, ignorar sua presença e pensar na frase que ele dissera pouca antes:
-Você é forte, vai aguentar.

domingo, 30 de agosto de 2009

The fiction that I lived

You've ruined my day, now I'm crying
I feel no resentment in you
What have you got taking the ground from me?
What has improved your life making me feel like this?
Sometimes I feel you're nothing but perverse
But that's a kind of thought that scares me...
Why must I always feel your poison in the air?
I wonder what the fuck you hide behind these eyes
I'd like to never see you again
And once again I'm here getting the broken pieces
I hear your voice speak how foolish I was
Your jokes get you so pleased (so cool laughin' at me)
We were expected to share a common ground
You make me sick 'cause I can see your real intentions
Please stay away from me
(acho que isso resume melhor as coisas)

Eu seria qualquer coisa, mas não seria você

...ai vem a ânsia de vômito e uma inexplicável vontade de tomar banho com o desinfetante mais forte que existir. Não adianta esfregar o corpo até arder e nem enfiar o dedo na garganta, tudo continua lá. Ele, você, a dor, o nojo, o desprezo por todas as palavras ditas até então.

Só queria não passar por isso. Só queria minhas coisas de volta.
E só queria te dizer que nem em mil anos eu seria como você.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Das perdas necessárias

it's a game that we play, and I don't know if I could live without you
the first time was the worst, now i thirst everything about you

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No momento que a porta fechou e ela teve que sentar diante dele e ouvir todas as razões para aquele término fictício, tudo o que havia perdido há pouco não lhe era mais significativo.
O que incomodava eram as razões, listadas em um bloco com caneta vermelha, como se fosse uma lista de supermercado. Ele seguia em ordem. No papel, as frases que ela dissera e que a ele incomodavam. Nada que expressasse um motivo real.
Se na perda anterior tivessem feito o mesmo, talvez ela pudesse usar as listas de erros como uma referência para a construção de um novo modo de agir. Mas não. Aquela era um situação única. Ninguém mais conseguiria se expressar de maneira tão metódica. Até a frase dita há cinco minutos entrou na lista.
Para encerrar a conversa ela realmente tentou se concentrar em algo relevante. Não conseguiu. Tentou apegar-se a perda anterior. Talvez pudesse lhe dizer algo. Mas não, o outro não importava mais. Concordou com um sinal de cabeça e saiu da sala, educadamente, como era esperado que fizesse a partir daquele momento.
Aquilo doeu sem que ela se desse conta. Engoliu a mágoa como haveria de engolir os momentos em que seria ignorada propositalmente dali em diante.
Fingiu não pensar no que sentia, porque tinha a nítida certeza de que desabaria caso se desse a esse trabalho.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sabe, quando aperta-te o peito

Finais são sempre apreensivos.
Os diálogos começam com "queria conversar uma coisa séria com você" e daí desandam para uma série de ofensas mútuas ou coisa que o valha. Quando se tornam frequentes começam a ficar previsíveis. As primeiras palavras e o tom são quase os mesmos das outras muitas vezes. Até o aperto no peito sabe a hora de começar. Aquela ansiedade insuportável que passa para dor quando tudo termina. Aquela maldita lágrima que tenta cair. Aquela sensação de "e agora?" começa sem prazo para terminar.
Daí vem a mãe que liga e diz que tudo vai ficar bem. As amigas que acham que você precisa de um abraço. As pessoas conformadas, achando que o final era previsível e que "agora é hora de levar uma vida nova". E você em casa, na sexta-feira a noite, esperando o universo conspirar a seu favor e mudar tudo, seja lá qual for a mudança.
Realmente, era causa de apreensão.

sábado, 1 de agosto de 2009

Era apenas eu, pronta para começar

Often, he stared at the stars all night
until the dark finally gave way to dawn

Eu não consigo lembrar dos meus desejos de infância, nem de tudo o que gostaria de ter sido. Mas tenho a nítida impressão de que tudo correu melhor do que eu esperava.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ao frio

Chegou em casa no horário habitual, e como hábito, não comeria nada, pois a geladeira vazia não lhe permitiria tanto luxo. Adentrou-se no pequeno quarto, o qual achava grande nos últimos dias, já que passava tanto tempo sozinha que aquela imensidão lhe assustava. Percebeu que não usava todos os espaços daquele ambiente e que seus movimentos estavam reduzidos a cama, ao banheiro e a pia da cozinha. E notava isso pela concentração de coisas que deixava nesses espaços, talvez para marcar território, talvez para lhe fazerem companhia.
Abriu a janela, sentiu o vento insuportável do inverno lhe cortar o rosto, respirou fundo e acendeu um cigarro, seu mais novo hábito e que lhe ajudava a consolar o vazio da geladeira.
Pensou por que diabos se deixava vencer dessa forma e por que não era normal como todas as outras pessoas que enchiam seus espaços vazios com coisas produtivas. Olhava o cigarro, percebia que sequer gostava daquilo, mas o fato de ter que fumar na janela e olhar as janelas defronte lhe davam a sensação de pertencimento. Eu os vejo, creio que me veem - pensava.
A televisão, antiga companheira, tocava uma música de comercial de carro, daquelas que fazem pensar por que não ter um carro se a vida é tão mais agradável com ele.
Já no segundo cigarro percebeu que sua ansiedade tinha outro nome: solidão, coisa a qual nunca se dera o tempo de sentir e que agora lhe pesava nos ombros.
Queria ver sentido em sair e chegar. Ou ao menos queria não ter de pensar nisso.
Queria ter para quem ligar nessa hora. Em outras ocasiões teria, mas não naquele dia.

Às insistências

Se eu tivesse coragem, eu fugiria dessa cidade
E eu esconderia meus sonhos dentro da terra.
E eu nunca mais correria atrás deles
E eu beberia por toda a noite longa
Mas, por um tempo, deixei esconder essa vontade
...
Assim foi como soube
que eu era exatamente como tu
e como todo mundo.


Te echo de menos

Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo (...)
y te pareces a la palabra melancolía.

Sentir saudade é um hábito
Estranho é que temos de sentir, como se fosse algo para provar que vale a pena...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Às inquietações

Estabilidade nunca foi o que ela buscou. Vivia a busca de um turbilhão de emoções. Mas suas escolhas e medos a levaram a ter a tão sonhada vida estável dos mortais, enquanto ela esperava o ópio dos irriquietos entorpecer tudo o que a cercava e deixá-la na vida dos que não dormem.
Não, ela não queria navegar no mar aprazível dos inocentes que ouviu nas histórias do Garcia Márquez. Não queria amar eternamente, não queria os horários, os almoços de domingo e os sorrisos educados. Ela esperava a corda bamba, aquela que garante pressa e inspirações suficientes para escrever.
Engolir as lágrimas já não bastava. Não bastava o silêncio, os cafés às cinco, os almoços repetitivos, o despertador do relógio insistente no mesmo horário todos os dias. Não bastava não sofrer de amor, o que outros invejavam e ela aceitava, confusa, pois de certa forma o sofrimento passado compensava aquele amor.
Queria voltar a ouvir suas músicas preferidas e não melodias românticas sobre tardes ensolaradas no parque, sem saber por que ansiava pelo não progresso que lhe foi negado, pois, aos bem sucedidos, é negada a vida instável.
Incansável, ansiava pelo momento de correr porta afora e mandar grande parte do mundo a merda.
Ela o faria, sem saber, aos poucos.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Um ano

Depois de um ano sinto que aprendi mais que nos outros vinte
Aprendi a respirar fundo, a ouvir o mais distante choro, a mais profunda respiração
A acordar de manhã e sorrir, nem que seja só para elas
A chorar sozinha apenas por ter saudades
Aprendi, com muito orgulho, a linguagem do olhar

Esse olhar que esperei por tanto tempo
Aquele que procuramos nos piores e melhores momentos
A quem olhamos por preocupação, por medo, por vontade de chorar, para dar confiança
Nada paga um olhar sincero

Assim como nada paga um amor incondicional
Que eu não precisei pedir, mas que mesmo assim é meu


Obrigada por deixarem a minha vida mais bonita

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sombra

E existia o mito da caverna
E aquele texto que me pareceu ser chato e cheio de moralismo
Apenas por ser de Platão (pobrezinho, de nada tinha culpa) eu já recusei desde o princípio
Mal sabia eu que o mito era a eterna repetição
Que o conhecimento das sombras na caverna era um erro
Que eu estava de fora da caverna
Brincando de mímica, fazendo acreditarem
E de tanto fazer, ficou difícil ser de verdade, ser mais que um pouquinho de sombra
E de tanto fazer, entendi a lógica do mito
E então virei sombra de vez

E todos acham que podem entender uma sombra, afinal, se conhece a origem e a essência e pode palpitar e interferir e mudar
E fazer a sombra se moldar ao corpo imaginário, que não lhe pertence
Ela não é real, muda de acordo com a posição do sol
E não se faz entender como deveria
E agora ela é o que querem ver
E ela não sabe chamar as pessoas para fora da caverna
E ela deixou de ser eu, e agora atende por ela

All you need isn`t me

Só queria pensar ser indispensável
Pensar ao menos, pois pensar alegra a alma
Mas esbarraria na eterna incapacidade de não me sobrepor a nada
Ou na eterna vontade de estar muito perto do nada

É como se não ser necessária me deixasse transparente
E ser transparente é o que sei ser (por mais que finja que não)
É a contradição de não gostar de estar no meu devido lugar
De saber que ali estou, porque ali pertenço
É achar que existe um pertencimento melhor que essse
(mesmo me convencendo que não)

Você vai sentir minha falta quando eu for embora?
Porque meu pertencimento aqui não me parece mais real

sábado, 30 de maio de 2009

Alerta não respondido

"Torturava-se com recriminações, mas terminou por se convercer de que era no fundo normal que não soubesse o que queria: nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores e nem corrigi-la nas vidas posteriores".

Às vezes tenho certeza que já escreveram ao longo de toda a literatura tudo o que eu sinto e que nada que eu escrevo fará sentido nesse mar de letrinhas perfeitas.
Por isso prefiro tudo a ter que sentar e colocar o cérebro a funcionar... Até ler bula de remédio e alertas não respondidos do celular.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"conteúdo é poesia e risco"

É simples enxergar poesia em tudo, o risco é fazer com que o mundo também enxergue...
Estou disposta a correr o risco.

Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me, nem que seja só porque te esperava
como um poeta, repelindo o absurdo cotidiano!
Ressuscita-me, nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!


segunda-feira, 18 de maio de 2009

De volta...

...nem que seja só para estar ao seu lado

De volta ao romantismo dramático
Aquele que me dá frio na barriga e me desespera
Só de pensar num final que quero não quero pensar
Só de amar de maneira tão perfeita
Só de parar de balançar na corda-bamba
Só de acordar e ver o que mais quero
Só de acordar...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A quem acredita na beleza de envelhecer

Estou atrasada, como sempre. Passou da meia-noite. Portanto, não é mais seu aniversário.
Ainda assim acho válida a homenagem...
A quem me ensinou que as pessoas se magoam
Mas que essas mágoas podem passar
A quem tem paciência
De esperar tudo, todos e até a vida
Mas a quem eu peço que não espere a vida por tanto tempo, porque ela, minha amiga, está correndo mais rápido que nós e dói ver tudo indo.
Nossas cervejas, nossas calçadas, nossas noites e as manhãs fugindo do sol. Elas estão indo.
Mas você acredita nessa beleza do tempo. E ele te agradece por isso, já que te ajuda não desistir e só correr atrás.
Então esquece que tudo está indo embora, esquece meu humor, esquece o seu medo. Sim, deixe seus medos numa gavetinha.
É só isso que falta.
O resto, você tem.

Feliz aniversário.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Suaves rotinas

A pedido de um professor, tive que descrever uma cena que tivesse acontecido recentemente.
Não achei o resultado de todo mal, mas o que me assusta é a frequencia com que me encontro nessa situação.
...Só espero que as patologias modernas passem...

Horas depois de iniciar seus trabalhos, descobriu a impossibilidade de dar continuidade a uma vida em que as vinte e quatro horas do dia deveriam ser trinta, e nem deixar de dormir solucionaria o problema. Diante de tantos eventos não palpáveis, foi para casa. Antes de sair, declarara a um colega da mesa ao lado: “vou embora, estou frustrada demais para continuar aqui”.

O colega notara que as mãos já tremiam o suficiente para fazer balançar a lapiseira amarela com a qual ela insistia em rabiscar um dos inúmeros blocos de anotações que deixava pela mesa. Quando não, mordia a ponta metálica alternando com as balas Mentos, que mastigava ao menos vinte por dia. Revirando a bolsa em busca do bilhete de ônibus, deixou cair o estojo, também amarelo, e praguejou algo inaudível.

No ônibus, buscando respostas para sua frustração enquanto seguia rumo ao centro da cidade, adormeceu. O cobrador, que já a conhecia de vista, continuou assistindo a televisão do seu celular, modernidade a qual se dera ao luxo após ganhar o apetrecho de aniversário dos filhos. Sequer se deu ao trabalho de acordá-la quando uma idosa reclamou por ela estar sentada no banco reservado.

Sempre tivera problemas com espaços reservados. Aquelas filas no banco, sempre maiores que as ‘normais’, já que por alguma razão a classe a qual se destinava insistia em freqüentar o local mais do que deveria. Ou então os lugares nos ônibus, bancos com encosto em cor diferenciada, quase sempre amarelos, onde um adesivo indicava, simbolicamente, que se destinavam a idosos, grávidas, mulheres com crianças no colo e deficientes físicos.

Como já dissera a uma amiga um dia, o “corpo estava treinado” e por isso acordava a tempo de descer do ônibus no lugar certo. Ela seguiu pelo trajeto de cinco minutos que separam o ponto da casa, e, não fosse pelo medo intrínseco que tinha daquela região desde que se mudara para lá, acharia um belo caminho, com uma ponte e uma bela vista da cidade que ela tanto admirava.

De um lado podia ver uma bandeira nacional, gigantesca e que julgava feia. Do outro, a avenida e a entrada de um túnel. Por mais feia que fosse a bandeira, gostava daquele lado, de manhã uma luz amarela brilhava ali, enquanto o outro ficava encoberto pela sombra cinza de todos aqueles prédios. Talvez por isso a região fosse fria. De qualquer maneira não andava pelo lado ensolarado. Era cômodo seguir pela outra calçada, já que sua casa ficava naquela linha reta.

Não fosse também o imprevisto comum de ter que esperar um sujeito estranho sair do seu campo de visão, ela teria chegado em casa a tempo de esquematizar as tarefas noturnas programadas para aquela terça-feira. O inesperado foi o súbito sono com o qual não sabe conviver. Retrocedendo algumas horas na memória, não conseguiu lembrar nada que não fosse o cansaço que sentira durante aquele dia. Foi então que se rendeu, a contragosto, ao que julga ser tempo perdido.

sábado, 21 de março de 2009

Última chamada perdida

Eu sempre acho que se o telefone chamasse sete vezes ao invés de seis eu teria mais sorte e você atenderia
Talvez por isso eu tente por cinquenta vezes até descobrir que não tem nada haver com sorte
Só tem haver com você não querer me atender

segunda-feira, 16 de março de 2009

Certezas dispensáveis

Não quero ter certeza que posso amar sem sentir paixão
Não quero ter certeza de que eu vou aprender a lidar com meu sentimentos e ficar calma
Nem quero saber se um dia estará certo tudo o que eu escolher.
Pouco me importa ter certeza nas escolhas.
Me importa menos ainda ter certeza da sua presença
Não quero saber que ela é sinal de que "eu aprendi que as coisas são assim" e que só por isso você está aqui
Não quero aprender essa lógica de pertencer sem desejar (ou desejar sem pertencer)
Nem quero sequer descobrir que a certeza das borboletas no estômago era uma gastrite trazida pela idade e que aos poucos ela desaparece para dar espaço ao "assistir tv abraçado, porque isso faz todo o sentido na vida"
Não quero amargar a eterna certeza dos sábios que conseguem distinguir seus sentimentos de suas razões e de seus desejos colocando tudo em caixas e gavetas separadas como se tudo não passasse de um jogo de montar.
E nem quero amargar a eterna certeza daqueles que sabem o dia de amanhã porque tudo é muito estável.

Insistência (ou o famoso murro em ponta de faca)

Não sei porque acreditei que iria ser diferente

Quando eu deixei as tuas mãos 
e fiquei em meu portão
tudo ficou tão cinza e frio
e o mundo em que eu vivia
já não foi como instantes atrás
já não fez mais sentido algum



(agradecendo por existir DoD, Morrissey e Placebo)

domingo, 8 de março de 2009

Envelhecendo #parte 2#

O maior problema é ver tudo indo embora
É quase como ver o para sempre sumindo e deixando de ser para sempre.
E não poder fazer nada, porque assim é a vida.
Feliz aniversário,
envelheço na cidade

sábado, 7 de março de 2009

Envelhecendo #parte1#

Ei garotinha.
Te disseram tantas coisas bobas, que você acreditou....
que bonito é ser magro, que amor verdadeiro é um só, que é ruim envelhecer.
Hoje eu escrevo para você, que amanhã envelhece.
Envelhecer não é ruim...
envelhecer é real e envelhecer com orgulho é um dom.
não pense que o final se aproxima,
apenas olhe para trás e veja as belas linhas que escreveu.
pense nas muitas que ainda irá escrever.
você é tão jovem e a vida é tão longa.
agora senta comigo na calçada e bebamos um cerveja, porque afinal de contas, nunca mais seresmo tão jovens quanto hoje.
e sim, quando mais o tempo passa, mas eu amo você.
feliz aniversário.

Postado por Sarah Germano no http://invasoesgermanicas.blogspot.com/


ps. obrigada, por tudo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Vazios

Sentindo um vazio estranho
Daqueles que acabaram de começar e não tem data para terminar, mesmo quando a data já está definida e próxima.
Vazio de quem perdeu algo sem perder nada
Vazio de quem se esqueceu de passar perfume antes de sair de casa ou de quem fica com a sensação de que se esqueceu de algo
Vazio de quem não tem direito de sentir vazio
De quem não tem nada e nada lhe pertence para esvaziar-se
Ou de quem sabe o que lhe pertence e apenas se esqueceu de avisar o mundo
Deve ser saudades. Mas eu tinha a nítida impressão de já conhecê-la
Até hoje.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Song to say good bye

Que te ama, mas tem medo
E lá vou eu, correndo na chuva, rumo ao lugarejo cor de violeta
Segurando um insistente vestido florido que teima em levantar com o vento
Segurando o cabelo que teima em cair no meu rosto e encobrir minha visão
E segurando a minha mala, que está cheia de tudo o que consegui trazer na correria do dia
E lá vamos, deixar o mundo para traz, porque ele, meu bem, sequer se importa se vamos morrer
Ou se vamos viver
Porque o viver, amor, é tudo o que temos agora.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Detalhes

Eu não tenho tempo, fato.
Mas me atento a detalhes que, no mínimo, seriam descartáveis.
Tipo luzes piscando ritmadamente
Tipo você achar minha cara engraçada
Tipo alguém me achar inteligente
Tipo você me achar uma mentira, porque minha inteligência não se aplica a todas as áreas da minha vida.
Tipo eu ser uma mentira.
Isso não é um mero detalhe, porque, se fosse mentira, tudo o que escrevi seria em vão
E tudo o que é em vão demonstra falta de importância.
Ainda assim, acho mero detalhe os sorrisos mentirosos
Os olhares desapercebidos que só eu percebo
E acho mero detalhe a grande maioria dos diálogos
Eles seriam menores, seriam práticos
E me poupariam tempo. Se, ao final, fossem úteis.
Sendo assim, o tempo voltaria para o que eu julgo importante.
Mas... o importante, na hora de maior crise, é descobrir o seu olhar no vazio de milhares de olhares e pensar, que por um segundo, ele se iluminou
E pensar que ele não foi por obrigação
Não foi porque o tempo obrigou o seu olhar a cruzar com o meu
Nem foi porque as conveniências assim querem.
Foi porque, simplesmente, o seu olhar cruzou com o meu e assim nós poupamos todos os diálogos e palavras perdidas ao longo do tempo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sem poesias por hoje

You scream, you learn

um pouco cansada demais para escrever.
( e não amor, não é tristeza nem insegurança, nem medo e nem poesia)
(hoje não tem poesia)
(a não ser que essa chuva que cai mais forte do que eu seja poesia)
(a não ser que o seu som seja música e que a água lave a alma)
(a não ser que você acredite que tudo seja real)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Protege mói #parte2#

Uma das coisas mais reconfortantes (e desesperadoras)
é saber que seu texto não será lido.

Mas sempre restam as páginas que fluem sem consciência nem medida
sem vontade outra senão a de enfeitiçar e envenenar os sentidos e o pensamento.
Continuo achando que escrever é um refúgio ao que eu não quero sentir.
Já me disse uma amiga: você não sabe se expressar, apenas consegue escrever.
É mais fácil, acredite, minha cara.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ah, se eu não te odiasse tanto

Na Grécia Antiga, a paixão era um estágio da loucura.

Não sei qual é o estágio da loucura, mas te odeio de uma forma quase platônica
Tão platônica como qualquer coisa que eu possa sentir

Tão inexistente quanto um personagem secundário de um livro
Aquele que faz parte da vida, mas nunca inspira a obra.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Aquela que acendia estrelas

Para cada porta aberta, uma nova vida
Para cada lágrima, uma estrela nova no céu

Desde criança sua mãe lhe ensinou que uma estrela no céu é algo muito mais importante do que uma simples bola de gás flutuando na falta de gravidade.
Ela representa alguém, representa uma esperança e representa algo para que olhar quando a terra já não é tão bonita.

Os ensinamentos se propagam, e ela aprendeu a arte de acender estrelas
Uma para cada lágrima que caia.
Uma para cada tristeza e uma para cada porta fechada.

Até o dia em que conseguiu olhar para o céu e achar que a noite já não era tão escura.
Até o dia em que ela achou que seria muito egoísta ter todas as estrelas para si.

Para ela, tomou duas.
Todas as outras ela jogou na órbita de sua vida
e deixou que cada pessoa a sua volta tomasse conta de uma.

Nem todas continuaram a brilhar, mas ela continuou...
Uma para cada lágrima, uma para cada sorriso.

E foi assim que ela voltou a acender estrelas.
Uma a cada dia.
Muitas para sempre.
Algumas que caem e viram desejos.
Algumas que deixam o brilho eterno.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

Aos começos

Se eu tivesse lido meus textos antigos eu saberia que não daria certo... desde o começo

e tudo ficou tão frio
por um tempo achei que eu tivesse esfriado com o inverno...
e você ficou calado de repente
e eu percebi que todo o assunto tinha acabado...
assuntos acabados me trazem desespero
odeio ficar muda
odeio não ter o que te contar
me sinto péssima de ver aos poucos que sua vida é muito diferente da minha
que conceitos diferentes me fazem pensar que você pode me achar infantil.

e mais uma vez eu falo o que não devo na hora em que menos devo
"...não queria ficar aqui agora parece que não tenho motivos pra estar aqui..."
ou algo assim...
e você ficou mudo eu tentei não chorar...
e não chorei
mas não consigo me manter quieta
você diz tudo bem, tanto faz...
eu só queria um buraco no chão pra fugir.

tanto quis fugir que saí sem nem te dar um beijo direito
e senti novamente fria
e aquele vento gelado no meu rosto
e milhares de pensamentos com formas de te perder que me deixavam com medo


não adiantou...você não quis falar comigo
sabia que não ia durar muito tempo
mas continuo magoada, não por mim
na verdade por ter te magoado
por ser burra e estragar tudo a cada vez que volto a ser como era
não consigo ser o que você espera
e tenho medo de viver uma mentira só para ser o que não sou e saber que você não se apaixonou por mim e sim por uma pessoa estranha.


e mesmo ligando
e mesmo dizendo que me ama, que te amo
mesmo te ouvindo
não sei o que falar.
milhares de promessas que eu tenho medo que sejam em vão
mais milhares de textos nunca lidos

e um pouco de lágrimas secas em folhas de papéis que acabei de rasgar e jogar fora.

quem me ama
quem me protege
quem me quer bem...


dúvidas suas que se refletem no meu sono, na minha dor, e em tudo o que faço
dúvidas que me fazer achar que nada que eu faço é certo
e acabo dizendo coisas que nunca pensei só pra fugir do silêncio uma vez mais
se você não se lembrar daquele mundo onde você e eu ficamos felizes me avise
porque talvez não valha mais à pena ...como você mesmo disse.



26/06/2005

sábado, 17 de janeiro de 2009

O indiscreto barulho da chuva

Agora resta a sensação de que eu não tenho para onde correr
Mas ao mesmo tempo é só abrir a porta e sair
Ninguém vai perguntar aonde vou
Ninguém vai saber se não voltar
(Agora é hora de crescer)

É vazio
Silencioso
Só a chuva é testemunha
E ninguém nunca vai entender porque não quero ficar aqui
E ao mesmo tempo ninguém precisa mais ficar do que eu
É quase uma dor que não quer doer
Porque doer é admitir falta de capacidade
Porque doer é fracassar. E na vitória, ninguém fracassa
Na vitória ninguém tem medo
Na vitória tem sempre alguém esperando
Eu tenho a chuva
(a única testemunha de uma lágrima que não pode cair)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Esqueça os finais

(ou: Lapso de sinceridade)

Queria poder mostrar que não sou adulta e que não entendo nada de tranquilidade.
Queria ser como aquelas pessoas mais velhas, que conseguem namorar à distância.
Que conseguem se encontrar esporadicamente e não morrer a cada minuto longe.

Acho quase altruísta essa vida de estabilidade emocional.
É como se alguém sufocasse os sentimentos para não demonstrar ao outro que sofre.
É como se não existisse a necessidade de estar perto.

Queria mostrar que se eu insisto em fazer parte é porque é importante para mim
É importante e é egoísta.
Egoísta sim, e me perdoe a sinceridade, porque eu quero fazer parte para provar para mim mesma que posso fazer parte da vida de alguém que amo.
Eu preciso estar nos planos alheios, só os meus não me bastam.

Mas só vou ter isso o dia que eu for altruísta, como aquelas pessoas perfeitas e emocionalmente estáveis, que conseguem fazer parte da vida das pessoas sem precisar implorar por isso a cada momento.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Obrigada

Com um certo pesar, percebi que nunca agradeci todas as pessoas por terem passado pela minha vida.
Com pesar ainda, descobri que nunca vou agradecer.
Com muito mais pesar, conclui que pelo resto da vida vou deixar de agradecer.

Será que a melhor parte delas sabe (e saberá) o quanto foi importante?

...eu mesma nunca saberia.