quarta-feira, 21 de julho de 2010

o banheiro.

Era gorda. Quase disforme. Dessas pessoas que deixam sempre em sua mesa, perto do monitor do computador, alguma guloseima, devorada ansiosamente após o almoço. Nesse corpo estranho sustentava uma cabeça que até combinava, mas que exibia uma aura de tristeza internalizada.
De uns tempos para cá se sentia melhor, mais feliz. Abriram um banheiro no corredor perto de sua baia de trabalho. Agora não caminhava até o outro lado para usar um banheiro coletivo. Esse não, esse era pequeno, com uma única cabine que respeitava sua privacidade e não a ofendia tanto quanto o outro, coletivo, cheio, com meninas a circular incessantemente. Esse era bom. Mas ainda a incomodava o cheiro. Aquele odor que só o banheiro consegue captar, destacando para o próximo que entra algo que o anterior gostaria de manter em sigilo. Mas não era pelo simples incômodo. Era a sensação assustadora de que o outro era melhor. Seus odores mais aceitáveis que os dela. Enquanto ela saía do banheiro quase que tentando se esconder para não pensarem que aquele cheiro ruim era dela. E achavam. Era ela a primeira citada nas piadas escatológicas. Era ela a culpada pelo odor que se acumulava ao longo do dia e quase invadia o andar ao final da tarde.
Um dia calmoçou comida nordestina. Sofreu remoendo o alimento no estômago, com a sensação de que ele empurrava o mundo até seus intestinos a fazia ter cólicas. Foi ao banheiro, ao pequeno. Ao sair, tentando o disfarce constante, pôs-se em silêncio, tanto que pode ouvir o que se falava atrás da porta. As reclamações eram de quem passava indagando-se sobre o aroma fétido daquele ambiente. Se saísse, saberiam que era ela. Não saiu. Tentava. Colocava a mão na fechadura. Mas não saiu.
O aviso de interditado na segunda só fez incomodar as demais pessoas, que em seu incômodo não notaram que a barra de chocolate branco comprada na sexta, aquela sexta em que foi servida a comida nordestina, não havia sido comida.

4 comentários:

Sarah Germano disse...

que cagona! hahaha

menina fê disse...

culpa da barra de chocolate que não foi comida! rsrsrs

ótimas descrições.
bjs pra vc, menina fê*

Unknown disse...

Bianca

Este tipo de constrangimento é coisa do passado, consulte o site www. msite.com.br/arclean que resolveremos o problema de sua empresa

Anônimo disse...

paranóia, paranóia.

ótimo.