quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

lapsos


O silêncio tornou-se incomodo e com sorriso contido ela tentou desviar de um assunto a outro, esperando preencher um buraco que só existia dentro dela. A ansiedade de viver fora barrada pela vida que não queria. Não sabia mais onde suas escolhas a levariam. Ansiava pelo novo como um filho. Estava grávida do futuro, sem pai nem avós para sustentar uma gestação amena ou garantir os períodos de resguardo.
Pela manhã, com os olhos embaçados, lembrou de seus pensamentos ao olhar o amado. Fluíam com rapidez, inspirados, sempre perdidos por falta de papel. Por ele escreveria livros infinitos, desde que pudesse estar ao seu lado para admirar cada respiração e cada piscar de olhos. Jamais seria assim. Você não tem toda a minha atenção, ele disse na noite anterior, sem esperar a mágoa.
O encanto acabou com a chegada de uma realidade banhada de cansaço do amor demasiado grande. Já não solvia dela o desespero da covardia. O medo não habitava seus olhos, apenas os dela. Os casais demoram a acertar os ponteiros do coração para que estes batam em uníssono. Ora amaria mais, ora menos. Ela sempre mais, num ardor angustiado. Ele sempre mais, numa calma sonolenta de quem não teme o futuro por crença na felicidade.

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