O mundo está ficando cada vez maior. Apesar de eu me render
ao vinho em certas noites, estou me esforçando, querido. Às vezes eu sonho alto
demais e acabo acreditando em mim como se eu fosse algo especial, mas na
maioria dos dias, ah meu amor, nesses dias eu gostaria de ter você ao meu lado
para me expulsar da cama ou ficar nela comigo.
Mesmo sem você eu levanto, eu continuo, e fico esperando
muito de mim e dos semelhantes. Há ainda os dias nos quais eu me conecto ao
materialismo. Casas, celulares, roupas, gostaria de ter um pouco menos de
questionamentos para me render a tardes de compras sem pensar que isso não
abastece a alma. Ou quem sabe fazer novos amigos. Mas nos dias cinza, o
discurso nasce pronto e a amizade rotulada.
Fico repetitiva em dias cinza. Grey, la color de sus ojos.
Aposto que nem você sabe que nesses dias seus olhos ficam da cor do mar de
inverno. Os meus, como diriam os bons amigos, vão longe, Bianca olhando no
horizonte. Mas eu sou medieval e nos dias cinza não questiono o abismo da linha
além mar.
Meu mundo está se expandindo, meu amor, e como Erastótenes,
eu meço sombras e constato que a terra pode muito bem girar. Quando ela gira eu
sei que não posso mais cair, apenas correr para não perder o equilíbrio. Ideias
nascem da necessidade, já dizem os sábios populares.
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