quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Cronicamente Inviável

Crônica que me rendeu um "muito bom"
na aula de Criação de Texto da prof. Márcia de Toni


Não entendo as crônicas.
Elas têm que ser feitas com base em algo que seja de interesse de boa parte das pessoas que vão lê-las.
Elas têm que ser atuais e tem que ser engraçadas, mas não necessariamente.
Tenho inveja dos bons cronistas.
Inveja por diversas razões... São pessoas antenadas, que sabem um pouco de tudo o que está acontecendo, são pessoas irônicas e conseguem usar uma gama de palavras do dicionário que às vezes me deixa com a sensação de que eu precisaria ler mais o nosso querido Houaiss.
Me sinto conicamente inviável quando preciso escrever alguma coisa que seja de interesse de muitas pessoas. Sinto como se estivesse contando a crônica da garrafinha d’água, em vez de falar sobre a política monetária em poucas palavras.
Lembro de um cronista, admirável, chamado Ferrez. Ele conseguia o absurdo de transformar a volta para casa em um texto incrível.
Lembro também do Veríssimo, o Luis Fernando. Ele é incrível. Talvez o melhor cronista conhecido por grande parte das pessoas hoje em dia.
Não entendo em que contexto se insere a crônica. Eu lembro do meu amigo dizendo “mostrei minhas crônicas para a professora, e ela disse que na verdade eram contos”. A cara de frustração dele só melhorou quando eu pedi algumas para ler.
Eu não li ainda, mas valeu a intenção de mostrar interesse.
Eu precisaria escrever uma crônica sobre algo. Mas sobre o quê?
Poderia falar do medo, mas só se fosse do meu medo de escrever crônicas e achar que elas estão horríveis e impublicáveis.
Poderia falar sobre o mendigo que vi na rua semana passada, que roubou um cigarro da mão da mulher. Mas esse recorte temporal só faria sentido se eu fizesse aquela contextualização sutil, que não é nada profunda, mas que faz toda a diferença em uma crônica.
Poderia falar do ônibus ou de como é a cidade de São Paulo. Mas isso é assunto tão batido que nem tem mais graça.
Falar de futebol, de política, de sexo? Isso eu deixo para os mais capazes.
Capazes tipo Arnaldo Jabor, que consegue misturar a política, o sexo e o carnaval e mostrar como tudo no país tem umas raízes bem definidas.
A mesmice e a pasmaceira do dia a dia às vezes são alvo de textos, mas eles são melancólicos e não acho um assunto merecedor de crônica.
Afinal, o que poderia ser transformado em crônica?
Nada e tudo.
A crônica é tão ampla que pode ser reduzida em si própria, mas nem assim eu conseguiria fazer uma que não fosse interessante apenas ao meu umbigo.

Um comentário:

Paulinha disse...

Bih!
Concordo com a professora!
Adorei!!

Beijos!