domingo, 7 de setembro de 2008

Do Amor e Outros demônios

E sem lhe dar tempo ao pânico, libertou-se da matéria turva que o impedia de viver.
Confessou que não passava um instante sem pensar nela, que tudo o que bebia e comia tinha gosto dela, que a vida era ela a toda hora e em toda parte.
Continuou falando sem a fitar, com a mesma fluidez e o mesmo calor com que recitava, até que teve a impressão de que ela tinha dormido.
Mas ela estava atenta, fixo nele os seus olhos de corça assutada. Apenas se atreveu a perguntar:
-E agora?
-Agora nada - disse ele. -Basta que saibas.
Não pôde continuar.

(...)

Uma noite foi ela quem tomou a iniciativa com os versos que aprendia de tanto ouvir:
- Quando paro a contemplar meu estado e ver os passos por onde me trouxeste... - recitou.
E perguntou com picardia: - Como continua?
-Eu acabarei, pois me entreguei sem arte a quem me saberá perder e acabar - disse ele.

Gabriel García Márquez

3 comentários:

Unknown disse...

Você tem esse livro? Tentei alugar nas férias, mas estavam todos alugados.
Daí peguei um outro dele, mas nem é muito bacana, "O enterro do diabo".

E a propósito, não sei se morreu mesmo alguém naquele dia no metrô. Tudo é abafado, parece.

Beijos,

Maria Clara Moraes disse...

OI AMOR!!! põe ai aquele trechinho que vc se impolgou... eh lindo demais... poe poe poeeeeee
ok honney ate amanha!!!!

Anônimo disse...

Fiquei com gostinho de quero mais
de Garcia Marquez!