Confessou que não passava um instante sem pensar nela, que tudo o que bebia e comia tinha gosto dela, que a vida era ela a toda hora e em toda parte.
Continuou falando sem a fitar, com a mesma fluidez e o mesmo calor com que recitava, até que teve a impressão de que ela tinha dormido.
Mas ela estava atenta, fixo nele os seus olhos de corça assutada. Apenas se atreveu a perguntar:
-E agora?
-Agora nada - disse ele. -Basta que saibas.
Não pôde continuar.
(...)
Uma noite foi ela quem tomou a iniciativa com os versos que aprendia de tanto ouvir:
- Quando paro a contemplar meu estado e ver os passos por onde me trouxeste... - recitou.
E perguntou com picardia: - Como continua?
-Eu acabarei, pois me entreguei sem arte a quem me saberá perder e acabar - disse ele.
Gabriel García Márquez
3 comentários:
Você tem esse livro? Tentei alugar nas férias, mas estavam todos alugados.
Daí peguei um outro dele, mas nem é muito bacana, "O enterro do diabo".
E a propósito, não sei se morreu mesmo alguém naquele dia no metrô. Tudo é abafado, parece.
Beijos,
OI AMOR!!! põe ai aquele trechinho que vc se impolgou... eh lindo demais... poe poe poeeeeee
ok honney ate amanha!!!!
Fiquei com gostinho de quero mais
de Garcia Marquez!
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