sexta-feira, 24 de julho de 2009

Às inquietações

Estabilidade nunca foi o que ela buscou. Vivia a busca de um turbilhão de emoções. Mas suas escolhas e medos a levaram a ter a tão sonhada vida estável dos mortais, enquanto ela esperava o ópio dos irriquietos entorpecer tudo o que a cercava e deixá-la na vida dos que não dormem.
Não, ela não queria navegar no mar aprazível dos inocentes que ouviu nas histórias do Garcia Márquez. Não queria amar eternamente, não queria os horários, os almoços de domingo e os sorrisos educados. Ela esperava a corda bamba, aquela que garante pressa e inspirações suficientes para escrever.
Engolir as lágrimas já não bastava. Não bastava o silêncio, os cafés às cinco, os almoços repetitivos, o despertador do relógio insistente no mesmo horário todos os dias. Não bastava não sofrer de amor, o que outros invejavam e ela aceitava, confusa, pois de certa forma o sofrimento passado compensava aquele amor.
Queria voltar a ouvir suas músicas preferidas e não melodias românticas sobre tardes ensolaradas no parque, sem saber por que ansiava pelo não progresso que lhe foi negado, pois, aos bem sucedidos, é negada a vida instável.
Incansável, ansiava pelo momento de correr porta afora e mandar grande parte do mundo a merda.
Ela o faria, sem saber, aos poucos.


2 comentários:

Anônimo disse...

Belo texto. Demonstra a angústia de se ter desejos escondidos, que não podem se revelar, para manter a imagem externa da pessoa. Parabéns.

Anita Deak disse...

Bom pra caralho,Bianca!!!! Somos seres contraditórios mesmo... Pensamos de um jeito, fazemos de outros e só nos rebelamos mentalmente. :))