Não, ela não queria navegar no mar aprazível dos inocentes que ouviu nas histórias do Garcia Márquez. Não queria amar eternamente, não queria os horários, os almoços de domingo e os sorrisos educados. Ela esperava a corda bamba, aquela que garante pressa e inspirações suficientes para escrever.
Engolir as lágrimas já não bastava. Não bastava o silêncio, os cafés às cinco, os almoços repetitivos, o despertador do relógio insistente no mesmo horário todos os dias. Não bastava não sofrer de amor, o que outros invejavam e ela aceitava, confusa, pois de certa forma o sofrimento passado compensava aquele amor.
Queria voltar a ouvir suas músicas preferidas e não melodias românticas sobre tardes ensolaradas no parque, sem saber por que ansiava pelo não progresso que lhe foi negado, pois, aos bem sucedidos, é negada a vida instável.
Incansável, ansiava pelo momento de correr porta afora e mandar grande parte do mundo a merda.
Ela o faria, sem saber, aos poucos.
2 comentários:
Belo texto. Demonstra a angústia de se ter desejos escondidos, que não podem se revelar, para manter a imagem externa da pessoa. Parabéns.
Bom pra caralho,Bianca!!!! Somos seres contraditórios mesmo... Pensamos de um jeito, fazemos de outros e só nos rebelamos mentalmente. :))
Postar um comentário