segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Das perdas necessárias

it's a game that we play, and I don't know if I could live without you
the first time was the worst, now i thirst everything about you

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No momento que a porta fechou e ela teve que sentar diante dele e ouvir todas as razões para aquele término fictício, tudo o que havia perdido há pouco não lhe era mais significativo.
O que incomodava eram as razões, listadas em um bloco com caneta vermelha, como se fosse uma lista de supermercado. Ele seguia em ordem. No papel, as frases que ela dissera e que a ele incomodavam. Nada que expressasse um motivo real.
Se na perda anterior tivessem feito o mesmo, talvez ela pudesse usar as listas de erros como uma referência para a construção de um novo modo de agir. Mas não. Aquela era um situação única. Ninguém mais conseguiria se expressar de maneira tão metódica. Até a frase dita há cinco minutos entrou na lista.
Para encerrar a conversa ela realmente tentou se concentrar em algo relevante. Não conseguiu. Tentou apegar-se a perda anterior. Talvez pudesse lhe dizer algo. Mas não, o outro não importava mais. Concordou com um sinal de cabeça e saiu da sala, educadamente, como era esperado que fizesse a partir daquele momento.
Aquilo doeu sem que ela se desse conta. Engoliu a mágoa como haveria de engolir os momentos em que seria ignorada propositalmente dali em diante.
Fingiu não pensar no que sentia, porque tinha a nítida certeza de que desabaria caso se desse a esse trabalho.
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