As revistas femininas chamavam aquilo de autosabotagem. Mas ela sabia bem que na realidade dela tinha outro nome. Era medo.
Não queria ser testada, não queria testar nada, não queria aprovar ninguém e nem ter que ser aprovada por um qualquer.
Odiava essa situação de muitos opinando em sua vida. Não queria ser motivo de preocupação. Pensou isso depois que disseram-lhe que estavam preocupados. Disseram-lhe para que lhes procurassem em caso de tristeza, disseram-lhe muitas coisas. E ela ignorou. Assim como ignoraria a boa vontade daquele estranho que se levantava e saia pela porta da sua casa logo de manhã. Ignovara pois ele fazia parte do teste. Parte do que ela não queria.
Ela, mais uma vez, como tantas outras, não sabia o que queria.
Estava confusa, sozinha e tinha súbitas vontades de levantar e sair correndo para longe, lá onde nasceu e lá ficar, apenas deitada no colo de quem lhe queria bem.
Pensou em tudo o que queria. E no que não queria. Tomou mais um gole. Vestiu-se, maquiou-se e foi embora. Fingir que era alguém num mundo que não lhe importava tanto.
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