quinta-feira, 11 de novembro de 2010

out of control


Você está desperdiçando energia que poderia ser gasta em outras coisas, disse o mestre, enquanto empurrava seus pés para que se adequassem ao asana. Soou como uma daquelas profecias que insistimos em ver onde não existem, mas que tendemos a ignorar quando nos parecem verdadeiras demais.
Passara a semana tentando em vão controlar os fluxos respiratórios. Inspira. Expira. Era um mantra interno que a fazia temer o sufocamento em caso de distração. Sufocaria, cedo ou tarde. Não detinha o domínio de seu corpo, entretanto, queria provar para sua mente doentia que podia obrigar os cotovelos a dobrarem no exato momento da expiração.
O suor escorrendo pelo rosto. Incomodo como uma formiga descendo pelo ponto inacessível da coluna. Inspira. Expira. O suor cai. A situação não melhora. Os músculos ainda se contraem involuntariamente e fazem lembrar os espasmos estomacais que tivera tantas vezes diante da privada.
Limpe a sua mente. Concentre-se na respiração. Foda-se a respiração, ela pensa, enquanto tenta assimilar os comandos de contrair o abdômen e alcançar os calcanhares com a ponta dos dedos no exato momento em que se equilibra sobre um dos joelhos, que, já cansado, apela para a dor.
O suor passa. A respiração se acalma. A dor. Essa persiste. Sempre.

Um comentário:

Yohana disse...

Ah, nada como uma aula de yoga relaxante... rsrsr