Chorava quando não conseguia distinguir sonho da realidade. Principalmente nos dias que os sonhos se resumiam a pesadelos confusos sobre perdas irreparáveis. Ora o fim do mundo, ora o fim do seu mundo, com ele indo embora para não se sabe onde sem qualquer razão definida. Acordou com dores no coração, apertado como se tivesse a beira de um ataque. Era medo. A iminência de perigo enrijecia os músculos, inclusive os da parede do estomago, o primeiro a sofrer com os lapsos de calafrios. Ouviu a voz. Ainda sonolenta. Não lhe trouxe muito alívio. Trouxe lágrimas, como que confirmando que o sonho ainda era irreal e que seria necessário manter os receios ao longo do dia. A espera infinita de uma previsão quase profética. Não fosse o horóscopo agraciando com notícias de futuros mais amenos, teria parado de respirar antes do almoço.
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