segunda-feira, 5 de setembro de 2011

lebre de março

Passei os últimos sete dias, ou mais, repetindo a infantil frase “eu quero um coelho”. Meu namorado, com uma paciência invejável, me distraia. Ainda assim, engravidei de um coelho. Criei expectativas dignas de uma gestante, que se emociona e planeja e fala e não muda de assunto .
Percebi que estar a maior parte de meus dias sozinha, em silêncio, estava me deprimindo. Uma nova depressão. Ao contrário da antiga, agora o tempo era lento e eu ainda não aprendera a organizá-lo. Precisei de distração, algo que exigisse atenção constante. Algo vivo. Só um ser vivo e nada mais importa. Barulho. No dia do encontro, não foi amor a primeira vista. Até cogitei outros, menores. Mas é tão esquisito quanto eu. Fica num canto, roendo uma grama seca.
Ainda não sei o que fazer com o tempo mas talvez a lebre de março com relógio me enfie num buraco de fundo mágico quando eu estiver entediada, confundindo sonhos com realidades.

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