quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Escrevo melhor de coração apertado.




Eu vou ficar bem, querido. Vou sorrir para todo mundo como sempre fiz, virar mais essa cerveja, levantar a cabeça e fingir que está tudo bem. Eu sempre acabo acreditando nos meus ímpetos de felicidade. Vai ficar tudo bem. Mesmo quando eu não achar uma casa para morar, um emprego descente para vender minha capacidade mental, nem realizar os sonhos perfeitos que criei na quinta dimensão. Até mesmo quando eu precisar dormir num canto mais empoeirado que meu cinzeiro eu vou levantar a cabeça, mexer o cabelo para o lado esquerdo, passar maquiagem, talvez um batom vermelho, e sair na rua. Mesmo quando eu não tiver fumaça para inalar. Tudo vai ficar bem, mesmo quando meus estados de consciência estiverem em seu devido lugar. Falta de hábito. Posso ser mais inteligente do que eu acredito. Posso morar do outro lado do mar, posso sobreviver a temperaturas negativas e até me divertir ao ver meus dedos ficarem com as pontas roxas. Eu sei que estou viva. Eu posso até chorar querido, eu sempre choro, você lembra? Eu posso até sentir dor nos ossos de saudades, mas eu posso virar mais uma cerveja e dar risada olhando fotos sob a luz do abajur mofado do quarto. Devia trocar a cúpula. Devia trocar alguns amigos também, eles me desanimam às vezes. Querido, vou ficar bem. Vou ali na esquina com algumas moedas para comprar mais cerveja. Já volto.

Um comentário:

Anita Deak disse...

Eu achei do caralho esse texto!!