Foi com certa dificuldade que ela olhou para o sol. Há tempos não reparava. Estava escondida atrás dos óculos escuros e das cortinas e da noite. Estava bem em não sorrir no elevador, em ignorar as pessoas na rua e seguir olhando pontos fixos no horizonte.
Estava, até o dia que teve que acordar e não usar seus óculos. Doeu no primeiro dia. Doeu no segundo. Doerá mais um tempo. Ela pensava que não teria força suficiente pra forçar a pálpebra para cima, mas segurou na mão de algumas pessoas e foi.
Com passos estranhos aprendeu a andar num terreno irregular. A comer o que não comia. A dormir onde jamais dormiria.
Dali sentiu que o mundo estava maior.
Depois se sentiu vazia.
O mundo dela não era o mesmo. Ninguém se importava. Todos os pequenos problemas eram menores para ela e enormes para os outros.
E foi daí que ela teve que escolher. Escolheu. Sorriu. E foi feliz por isso.
E foi daí que ela teve que escolher. Escolheu. Sorriu. E foi feliz por isso.
Agora os óculos escuros atrapalham demais.
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