quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

o fim imaginário

Sentia como se todos os ossos do corpo doessem em resultado de algo que lhe machucara e lhe deixara marcas sem fim. Sentia falta da pressão sobre seu corpo que aquele outro corpo exercia, não apenas quando se quedava sobre ela, mas também quando a olhava e se concentrava em cada parte de seu corpo – pintas, pelos, pele: tudo era motivo para uma observação profunda e sem fim. Não entendia a sensação que isso lhe proporcionava, mas gostava, até mesmo quando sentia medo de encontrar um olhar vidrado no seu, observando sua alma em busca da certeza de todos seus pensamentos. Mas naquela tarde sentira dor, sabendo que nada estava no lugar. O olhar atento em seu corpo passara para despercebido e focado no ar. Sabia que o perdera. Para sempre. Seu corpo, sua veneração. E sentia dores e náuseas a perceber que nada naquela noite lhe daria o conforto de um corpo para dormir.

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