Saiu do papel de superioridade que exibia desde sempre para cair bem fundo, lá embaixo de onde estava acostumada a ficar. Era triste. Triste não, melancólico e insólito.
Não sabia se encaixar nesse papel de verdade. Fingira por vezes o sofrimento daqueles que morrem de amor, mas não sabia o que era isso desde o distante dia em que colocou o coração numa redoma de gelo. E agora sentia que lá estava, no fundo, sem poder contar a ninguém. Sem poder chorar – porque não sabia, não por falta de vontade.
Nesse lugar ele a deixou. E foi embora, sentindo-se superior em sobrepor-se aquela que o redimia a um mero adereço. Olhou de cima, sem expressão alguma e foi.
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