segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sleeping with ghosts


Acordou no meio da noite, assustada como de costume. Com um sobressalto percebeu que ele não estava mais lá. Chacoalhou-se entre os lençóis tentando achar algum vestígio, mas ele se fora.
Das muitas horas que faltavam para que o dia chegasse, dormiu apenas duas. E dividiu o sono entre pesadelos e calores insuportáveis que a lembravam o quanto detestava ser filha de uma terra tropical.
Quando desistiu de dormir, se deu o privilégio de esperar o dia amanhecer entre pensamentos soltos e uma xícara de café. De tanto pensar, percebeu que ele não tinha ido embora. Na verdade, nunca estivera ali. Era fruto da sua gigantesca imaginação.
Nunca a amara, nem nunca tinha sido amado por ela. Jamais dividiram juntos aquelas xícara de café nem o cinzeiro. Jamais tinham sorrido ao se olharem durante o sono.
Ficou feliz por isso. A não existência lhe dava paz. Não amava e, sendo assim, não tinha com o que se preocupar ao acordar no meio da noite com a cama vazia.

Nenhum comentário: