segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ódios, textos e coisas que eu queria te dizer e não sei

Estava no meio de um texto quando resolveu descontar seu ódio acumulado em alguém que não o entenderia e nem o receberia como se deve.
Inconformada com o ódio que não fora devolvido em dobro, mas que havia sido reduzido a pó e chegado para devolução na forma de silêncio, ela voltou ao texto (já que o trabalho lhe contentava por também odiá-la).
Deparou-se com a frase “Esse diálogo entre as partes...”. Quase riu com a ironia. De que diálogo falava se sequer sabia travar um como adulto racional?
Agiu como agia aos seus cinco anos de idade - satirizando as pessoas com suas palavras prematuramente cortantes e ácidas. Criatura infeliz que não sabia fazer nada além de vomitar emoções mal construídas no seu estômago.
Direcionou a atenção para o parágrafo seguinte, quem sabe o texto lhe ensinasse a travar o tal “diálogo entre as partes”. Ele fugia as suas intenções. E ela teve certeza que aquele texto lhe odiava tanto quanto ela odiava o fato de ter que o fazer para outro que não o amaria como deveria ser amado. Os textos, seus filhos, devolviam o ódio que ela dava ao mundo sem saber por que.
Antes pudesse se expressar de maneira clara e concisa por meio deles, como lhe fora ensinado nos cursos de redação ao longo de toda uma vida.

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