quinta-feira, 30 de julho de 2009

Às insistências

Se eu tivesse coragem, eu fugiria dessa cidade
E eu esconderia meus sonhos dentro da terra.
E eu nunca mais correria atrás deles
E eu beberia por toda a noite longa
Mas, por um tempo, deixei esconder essa vontade
...
Assim foi como soube
que eu era exatamente como tu
e como todo mundo.


Te echo de menos

Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo (...)
y te pareces a la palabra melancolía.

Sentir saudade é um hábito
Estranho é que temos de sentir, como se fosse algo para provar que vale a pena...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Às inquietações

Estabilidade nunca foi o que ela buscou. Vivia a busca de um turbilhão de emoções. Mas suas escolhas e medos a levaram a ter a tão sonhada vida estável dos mortais, enquanto ela esperava o ópio dos irriquietos entorpecer tudo o que a cercava e deixá-la na vida dos que não dormem.
Não, ela não queria navegar no mar aprazível dos inocentes que ouviu nas histórias do Garcia Márquez. Não queria amar eternamente, não queria os horários, os almoços de domingo e os sorrisos educados. Ela esperava a corda bamba, aquela que garante pressa e inspirações suficientes para escrever.
Engolir as lágrimas já não bastava. Não bastava o silêncio, os cafés às cinco, os almoços repetitivos, o despertador do relógio insistente no mesmo horário todos os dias. Não bastava não sofrer de amor, o que outros invejavam e ela aceitava, confusa, pois de certa forma o sofrimento passado compensava aquele amor.
Queria voltar a ouvir suas músicas preferidas e não melodias românticas sobre tardes ensolaradas no parque, sem saber por que ansiava pelo não progresso que lhe foi negado, pois, aos bem sucedidos, é negada a vida instável.
Incansável, ansiava pelo momento de correr porta afora e mandar grande parte do mundo a merda.
Ela o faria, sem saber, aos poucos.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Um ano

Depois de um ano sinto que aprendi mais que nos outros vinte
Aprendi a respirar fundo, a ouvir o mais distante choro, a mais profunda respiração
A acordar de manhã e sorrir, nem que seja só para elas
A chorar sozinha apenas por ter saudades
Aprendi, com muito orgulho, a linguagem do olhar

Esse olhar que esperei por tanto tempo
Aquele que procuramos nos piores e melhores momentos
A quem olhamos por preocupação, por medo, por vontade de chorar, para dar confiança
Nada paga um olhar sincero

Assim como nada paga um amor incondicional
Que eu não precisei pedir, mas que mesmo assim é meu


Obrigada por deixarem a minha vida mais bonita

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sombra

E existia o mito da caverna
E aquele texto que me pareceu ser chato e cheio de moralismo
Apenas por ser de Platão (pobrezinho, de nada tinha culpa) eu já recusei desde o princípio
Mal sabia eu que o mito era a eterna repetição
Que o conhecimento das sombras na caverna era um erro
Que eu estava de fora da caverna
Brincando de mímica, fazendo acreditarem
E de tanto fazer, ficou difícil ser de verdade, ser mais que um pouquinho de sombra
E de tanto fazer, entendi a lógica do mito
E então virei sombra de vez

E todos acham que podem entender uma sombra, afinal, se conhece a origem e a essência e pode palpitar e interferir e mudar
E fazer a sombra se moldar ao corpo imaginário, que não lhe pertence
Ela não é real, muda de acordo com a posição do sol
E não se faz entender como deveria
E agora ela é o que querem ver
E ela não sabe chamar as pessoas para fora da caverna
E ela deixou de ser eu, e agora atende por ela

All you need isn`t me

Só queria pensar ser indispensável
Pensar ao menos, pois pensar alegra a alma
Mas esbarraria na eterna incapacidade de não me sobrepor a nada
Ou na eterna vontade de estar muito perto do nada

É como se não ser necessária me deixasse transparente
E ser transparente é o que sei ser (por mais que finja que não)
É a contradição de não gostar de estar no meu devido lugar
De saber que ali estou, porque ali pertenço
É achar que existe um pertencimento melhor que essse
(mesmo me convencendo que não)

Você vai sentir minha falta quando eu for embora?
Porque meu pertencimento aqui não me parece mais real

sábado, 30 de maio de 2009

Alerta não respondido

"Torturava-se com recriminações, mas terminou por se convercer de que era no fundo normal que não soubesse o que queria: nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores e nem corrigi-la nas vidas posteriores".

Às vezes tenho certeza que já escreveram ao longo de toda a literatura tudo o que eu sinto e que nada que eu escrevo fará sentido nesse mar de letrinhas perfeitas.
Por isso prefiro tudo a ter que sentar e colocar o cérebro a funcionar... Até ler bula de remédio e alertas não respondidos do celular.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"conteúdo é poesia e risco"

É simples enxergar poesia em tudo, o risco é fazer com que o mundo também enxergue...
Estou disposta a correr o risco.

Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me, nem que seja só porque te esperava
como um poeta, repelindo o absurdo cotidiano!
Ressuscita-me, nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!


segunda-feira, 18 de maio de 2009

De volta...

...nem que seja só para estar ao seu lado

De volta ao romantismo dramático
Aquele que me dá frio na barriga e me desespera
Só de pensar num final que quero não quero pensar
Só de amar de maneira tão perfeita
Só de parar de balançar na corda-bamba
Só de acordar e ver o que mais quero
Só de acordar...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A quem acredita na beleza de envelhecer

Estou atrasada, como sempre. Passou da meia-noite. Portanto, não é mais seu aniversário.
Ainda assim acho válida a homenagem...
A quem me ensinou que as pessoas se magoam
Mas que essas mágoas podem passar
A quem tem paciência
De esperar tudo, todos e até a vida
Mas a quem eu peço que não espere a vida por tanto tempo, porque ela, minha amiga, está correndo mais rápido que nós e dói ver tudo indo.
Nossas cervejas, nossas calçadas, nossas noites e as manhãs fugindo do sol. Elas estão indo.
Mas você acredita nessa beleza do tempo. E ele te agradece por isso, já que te ajuda não desistir e só correr atrás.
Então esquece que tudo está indo embora, esquece meu humor, esquece o seu medo. Sim, deixe seus medos numa gavetinha.
É só isso que falta.
O resto, você tem.

Feliz aniversário.