(laboratório para aprimorar a escrita e minimizar os muitos pensamentos acumulados)
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
impossibilidades
mas logo lembrou do mundo. de tudo que implicaria aquele abraço. voltou ao som. disfarçou. sentiu-se mal, assim como ele.
encostaram no balcão. de cabeça baixa, olhavam de canto de olho. ele sabia que tinha que sair dali. ela queria a distância segura.
e foi assim que a noite acabou com o dia seguinte. e foi assim que um aperto muito forte chegou no coração. e foi assim que ela se sentiu a mais desgraçada das criaturas.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Pensando em um título que não lhe ofenda tanto quanto o texto
Será que não afetaria? Será que ele conseguiria sair ileso de toda a sua loucura?
A ela era dispensável que ele se desse ao trabalho de lhe agradar, ou de lhe falar qualquer coisa que fosse. Ela só queria ouvir sua respiração pausada e profunda, e depois ficar ali, entre pernas e lençóis, até adormecer para ignorar sua existência.
Sentia-se mal por pensar assim, mas não se deu ao trabalho de agir de outra maneira. E nessa confusão de querer pensar conscientemente, ela enfiou a cara no travesseiro, respirou fundo e dormiu novamente quando ele abriu a porta e saiu, com a impressão de que nunca mais voltaria.
Da autosabotagem
Não queria ser testada, não queria testar nada, não queria aprovar ninguém e nem ter que ser aprovada por um qualquer.
Odiava essa situação de muitos opinando em sua vida. Não queria ser motivo de preocupação. Pensou isso depois que disseram-lhe que estavam preocupados. Disseram-lhe para que lhes procurassem em caso de tristeza, disseram-lhe muitas coisas. E ela ignorou. Assim como ignoraria a boa vontade daquele estranho que se levantava e saia pela porta da sua casa logo de manhã. Ignovara pois ele fazia parte do teste. Parte do que ela não queria.
Ela, mais uma vez, como tantas outras, não sabia o que queria.
Estava confusa, sozinha e tinha súbitas vontades de levantar e sair correndo para longe, lá onde nasceu e lá ficar, apenas deitada no colo de quem lhe queria bem.
Pensou em tudo o que queria. E no que não queria. Tomou mais um gole. Vestiu-se, maquiou-se e foi embora. Fingir que era alguém num mundo que não lhe importava tanto.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
My apology to you
E estou indo embora. E você já foi.
Você já me matou com todo seu amor.
E eu estou tentando te deixar.
Apenas me desculpe por não sentir saudades.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
De onde vem a força
-Relaxe - ele disse.
Impossível quando se expõe todas as fraquezas diante de alguém.
Ela estava certa que se ele pudesse a deixaria ali, chorando, só por não ser digno daquele momento. Mas ele não podia. Jamais a deixaria.
Ela fugiu dos seus olhos enquanto pode. Mirou o alto, preocupou-se com o brilho da lâmpada, fechou os olhos, e cada vez que abria sentia chorar e ficar mais fragilizada. Ele se sentiu culpado por tudo o que não havia feito. Ela nunca o culparia.
Apenas queria olhar acima da linha do horizonte, ignorar sua presença e pensar na frase que ele dissera pouca antes:
-Você é forte, vai aguentar.
domingo, 30 de agosto de 2009
The fiction that I lived
Eu seria qualquer coisa, mas não seria você
Só queria não passar por isso. Só queria minhas coisas de volta.
E só queria te dizer que nem em mil anos eu seria como você.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Das perdas necessárias
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No momento que a porta fechou e ela teve que sentar diante dele e ouvir todas as razões para aquele término fictício, tudo o que havia perdido há pouco não lhe era mais significativo.
O que incomodava eram as razões, listadas em um bloco com caneta vermelha, como se fosse uma lista de supermercado. Ele seguia em ordem. No papel, as frases que ela dissera e que a ele incomodavam. Nada que expressasse um motivo real.
Se na perda anterior tivessem feito o mesmo, talvez ela pudesse usar as listas de erros como uma referência para a construção de um novo modo de agir. Mas não. Aquela era um situação única. Ninguém mais conseguiria se expressar de maneira tão metódica. Até a frase dita há cinco minutos entrou na lista.
Para encerrar a conversa ela realmente tentou se concentrar em algo relevante. Não conseguiu. Tentou apegar-se a perda anterior. Talvez pudesse lhe dizer algo. Mas não, o outro não importava mais. Concordou com um sinal de cabeça e saiu da sala, educadamente, como era esperado que fizesse a partir daquele momento.
Aquilo doeu sem que ela se desse conta. Engoliu a mágoa como haveria de engolir os momentos em que seria ignorada propositalmente dali em diante.
Fingiu não pensar no que sentia, porque tinha a nítida certeza de que desabaria caso se desse a esse trabalho.
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