segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

When I hit the bottle


E mais uma vez ela foi para a casa arrastada.
- Acho que não me lembro de tudo o que aconteceu, dizia a moça em meio a confusão de sua amnésia.
- Eu cuidei de você, não tem problema, respondeu o rapaz que havia acordado ao seu lado naquela manhã quente feito o inferno.
Cada uma de suas células gritava e pedia desesperadamente para não existir em meio aquela enxurrada etílica. Ela se arrependeu. Disse que não aconteceria de novo.
Aconteceria. Ela e sua falta de limite misturada a vontade de se esquecer dentro de um copo.
“A amnésia é uma invenção social”. Sim, e é também um bom recurso ao que queremos esquecer.
Desde a noite anterior, quando quis outro e nesse outro nada encontrou, sentia que precisava esquecer algumas partes da vida. Mas de nada adiantou. Lembrava desse, do outro, dos copos, da vontade de deixar o estômago na privada.
Levantava de hora em hora para se forçar a melhorar. Não melhorou até o momento que se despediu da última gota da noite passada.
Acordou no dia seguinte com espírito de novo ano. Planejou todos os próximos e ficou feliz por ainda ter tempo de remediar alguns erros.
Mesmo assim, seu inconsciente tinha certeza que em menos de quarenta horas se despiria dessa capa de esperança e se perderia mais um pouco.

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